domingo, 24 de novembro de 2013

Fases do rio Xingu:






As águas do Rio Xingu sofrem constantes alterações.  Na nossa região, ele começa a se avolumar na segunda quinzena de dezembro, período em que começa a chover e atinge o ápice da cheia no mês de março.

A partir do mês de abril ele começa a vazar; no mês de julho reaparecem os pedrais e as praias, sendo que no final de setembro ele atinge o ápice da seca. Quando ele está cheio, o período é ideal para a pesca dos gigantes piraras, jaús e piraíbas, assim como surubim, barbado, piramutaba, corvina, fidalgo, dentre outros. Quando começam a aparecer as pedras no início de julho, além dos peixes acima, temos ainda uma pesca farta de tucunarés, cachorras e bicudas e uma paisagem paradisíaca, com praias de água doce com suas areias limpas e extensas que nos convidam para deliciosos banhos de água doce.

Pelas fotos, podemos ver a evolução das águas através da casa de barcos com o rio seco e o rio cheio. Olhando, não dá para acreditar de onde vem tanta água! Mas acontece, ano após ano!




 Como um véu que se rasga, mostrando o rosto da virgem, abro as portas da varanda onde um majestoso Xingu se descortina à minha frente, banhando meus olhos de êxtase, meu coração de ternura e uma paz, daquelas que emana dos poros, que te dá vontade de abraçar o mundo e contar a todos em alto e bom som que Deus existe e a prova maior disto tudo é natureza estupenda que Ele colocou bem ali, à minha frente, ao alcance dos meus olhos.

Aos poucos, minhas janelas da alma começam a buscar o infinito e começo a perceber as curvas do rio que se insinuam ao longe, como cobras faceiras que buscam o calor do ralo sol nas tardes de inverno; as corredeiras lépidas , ligeiras que como os amantes, na ânsia louca de encontrar o seu caminho, afogam-se rapidamente em outras águas, borbulham , espumam, submergem e já não sabemos se eram as mesmas águas ou se elas se perderam dentro das outras.

A floresta, parte submersa, parte descoberta, acena ora suavemente, ora freneticamente, como se estivesse numa eterna dança, bailando com o vento.

As araras em par, como dois amantes, sobrevoam o céu em um balé coreografado, ensaiado, soltando gritos de alegria e murmúrios de prazer; O sol, com seu hálito morno beija suavemente a minha face, me fazendo enrubescer; A brisa, como uma criança inocente, brinca com meus cabelos, jogando-os sobre o meu rosto; As flores, como lábios carnudos e rosados, se oferecem desavergonhadamente às abelhas, que ansiosas, sugam seu néctar e voam dançando, em sinal de agradecimento; As nuvens, como um grupo de garotas felizes e serelepes, brincam de roda, segurando as mãos uma das outras, ora se juntando, ora se separando, formando figuras que minha mente tenta decifrar; outras vezes, como meninos inocentes, puxando um papagaio de cauda longa, cria nesgas no céu, mostrando buracos de céu misturado com pedaços de infinito; Abro suavemente minhas narinas e deixo que uma lufada de vento penetre meus pulmões e sinto, como um beijo apaixonado, profundo e voluptuoso, o ar me faltar e tal qual o êxtase que toma conta dos corpos depois de um momento de amor frenético e alucinante, sinto no mais íntimo e recôndito do meu ser,  uma dor, não daquelas que você sabe que o teu corpo quer te pedir socorro por algo errado que esteja acontecendo, mas uma dor que chega a ser gostosa, provocante, desejada, diferente e que, voce não sabe ao certo como descrevê-la.

Sabe apenas que o teu corpo está exprimindo um gemido que é ao mesmo tempo, um misto de dor e de um profundo, delicioso enorme e ... inenarrável prazer.

O Xingu é mesmo lindo de doer!!!





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